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Fonoaudióloga do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, Rayné Melo

13 de Novembro de 2017

Fonoaudióloga alerta para perda auditiva no trabalho

Segundo ela, doença é considerada uma das mais frequentes na população trabalhadora

A doença auditiva relacionada ao trabalho é geralmente conhecida como Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair). Entretanto, sabe-se que muitos casos de adoecimento auditivo provocado pelo trabalho são decorrentes de outros fatores causais, como vibração, calor e substâncias químicas, embora, muito comumente, o risco físico (ruído) seja o mais atribuído à perda auditiva.

Dessa forma, a Pair é definida como a perda de audição provocada pela exposição por tempo prolongado ao ruído, geralmente bilateral, irreversível e progressiva com o tempo de exposição ao ruído, para a qual não existe tratamento eficaz e nem possibilidade de melhora, mesmo após o afastamento do trabalho.

De acordo com a fonoaudióloga do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), Rayné Melo, a perda auditiva relacionada ao trabalho é considerada uma das doenças mais frequentes na população trabalhadora, estando presente em diversos ramos de atividade, como siderurgia, metalurgia, gráfica, têxtil, construção civil, agricultura, transportes, telesserviços e outros.

“O ruído não é o único fator presente no ambiente de trabalho capaz de provocar perda auditiva. Diversos estudos mostram que outros agentes causais (químicos ou ambientais), atuando de forma isolada ou concomitante à exposição ao ruído, podem também ocasionar danos à audição. Dentre eles, a exposição à vibração (britadeiras), calor (caldeiras) e substâncias químicas (combustíveis e solventes)”, explicou.

Estatística

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), os pedreiros, soldadores e serventes de obras são o público-alvo mais acometido pela surdez. De janeiro a outubro deste ano, 15 trabalhadores foram notificados em decorrência de problemas na audição, enquanto que, em 2016, o total foi de 11.

A fonoaudióloga do Cerest ressaltou que o protetor auricular, como muito se fala, não serve apenas para proteger dos ruídos. O mesmo pode e deve ser usado também pelo indivíduo exposto aos ventos excessivos e também à friagem. Isso porque, o ouvido é uma região muito sensível e deve ser protegido para evitar futuras doenças ocupacionais ou maiores prejuízos à saúde.

“Os protetores auriculares visam atenuar níveis de ruído que estejam acima do limite de tolerância permitidos, para amenizar desconfortos acústicos, proteger contra o frio, chuva e ventos fortes, devendo ser usado, também, por músicos e pessoas que praticam esportes ou atividades aquáticas. O uso correto promove a preservação da saúde, a curto, médio e longo prazos, evitando as doenças ocupacionais, porém, faz-se indispensável a realização de exames médicos periódicos para mensurar a saúde da audição”, ressaltou.

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), os ruídos são a terceira principal causa de poluição no mundo. De acordo com Rayné Melo, um barulho de 70 decibéis não chega a ser agradável para o ouvido humano – e, acima de 85 dB, começa a danificar o mecanismo auditivo.

A perda de audição induzida pelo ruído é causada por exposição do indivíduo à atividade exercida sob Nível de Pressão Sonora (NPS) acima de 85 dB, oito horas por dia, regularmente, instalando-se em geral nos primeiros cinco anos.

Ivanildo Francisco da Silva, de 44 anos, tem uma pequena serralheria no Jacintinho. O comércio à sua volta é variado. Há 22 anos, ele trabalha no segmento, na maior parte do tempo de forma relativamente artesanal. No entanto, há seis, atua no ramo autônomo.

Ele disse que desde que começou a trabalhar como autônomo, sempre teve a preocupação de usar os equipamentos de proteção individual (EPIs), tais como capacete, luvas, óculos e máscara de solda, a fim de não queimar sua pele.

Como não tem uniforme, usa camisas confortáveis de mangas compridas, calças, bonés e botas de couro. Além disso, utiliza o protetor auricular de silicone com cordão de algodão, para abafar ruídos e proteger a audição. Contudo, o homem articulado e bastante agitado revelou que, de vez em quando, se esquece.

“Às vezes é relaxamento. Em janeiro deste ano, eu estava com um zumbido no ouvido que me incomodava bastante, principalmente, quando ia dormir. Fui ao médico e tive que fazer um tratamento durante quatro meses. Graças a Deus, fiquei curado. Mas, de uns dias para cá, relaxei e não usei o protetor auricular, sabendo que posso desenvolver um problema sério a qualquer momento”, disse, ao reconhecer que a saúde está em primeiro lugar.

Fones de ouvido

É de extrema importância o cuidado com o volume do que se está ouvindo. O ideal é que ele nunca fique no máximo ou ao ponto de não se ouvir o que está acontecendo ao seu redor. Dependendo do tipo de fone, quando é introduzido no ouvido, o som é amplificado, oferecendo riscos maiores à audição.

“A melhor forma de fazer o uso de fones, amenizando os efeitos prejudiciais, é optar por modelos tenham um bom isolamento acústico e sempre utilizar os lados direito e esquerdo simultaneamente. O hábito de escutar apenas por um lado pode causar uma perda auditiva assimétrica, a qual se desenvolve gradativamente”, frisou.

Os fones não devem ser compartilhados, e cada lado deve ser sempre usado no ouvido correspondente e nunca de forma invertida ou alternadamente. Isso evita a transmissão de possíveis doenças e infecções de um ouvido para o outro e entre pessoas.

Também é de extrema importância lembrar-se de acondicionar os fones em locais limpos e higienizá-los antes e logo após o uso, de preferência com panos umedecidos em álcool.

Marcel Vital
Agência Alagoas

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