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Nelson Mandela

16 de Julho de 2018

Cartas viram livro, no Centenário de Mandela

África do Sul comemora os 100 anos do lídere negro, a partir de 18 julho de 2018

Mais de 250 cartas escritas por Nelson Mandela durante os 28 anos de prisão vão ser publicadas pela Porto Editora, em julho, quando se assinala o centenário do nascimento do líder revolucionário anti-apartheid e Presidente da África do Sul.

"As cartas da prisão de Nelson Mandela" é o título do livro, que chega às livrarias no dia 12 de julho, e reúne 255 cartas, muitas delas nunca, antes, tornadas públicas, organizadas cronologicamente e divididas pelas quatro instituições prisionais por onde passou.

A propósito dos cem anos do nascimento de Nelson Mandela, que se assinalam no dia 18 de julho, muitos países vão marcar a efeméride com o lançamento destas cartas, institucionais, políticas e familiares, com organização da jornalista Sahm Venter, apoiada pela Fundação Mandela, e prefaciado pela neta do ativista Zamaswazi Dlamini-Mandela.

EFEMÉRIDE

África do Sul está em festa e não é para menos. Neste 18 de julho, comemora-se o centenário de Nelson Mandela, líder que acabou com o Apartheid, e, acima de tudo, virou símbolo mundial da igualdade.

Madiba ou Tata, como era carinhosamente chamado, faria 100 anos. Ele morreu em 2013, aos 95, mas o amor do povo sul-africano por ele nunca vai acabar.

Sua jornada foi marcada pela luta na juventude contra o absurdo do Apartheid, por uma prisão injusta que durou 27 anos (gente, uma vida!).

Madiba recebeu o Nobel da Paz em 1993, foi eleito presidente do país (1994 a 1999) e ficou marcado por ser o líder decisivo que colocou fim do regime insano que separava negros de brancos no país.

Como foi o Apartheid?

Só estando na África do Sul sentir a força de Madiba e o quanto o Apartheid deixou marcas. Falar sobre o regime que massacrou negros é a única coisa que tira o sorriso do rosto dos sul-africanos.

O absurdo foi tamanhoque os negros precisavam de uma licença especial para andar nas ruas e foram enxotados para as periferias, as chamadas townships, quando não apanhavam até a morte.

Crédito: Andrea Miramontes/ Lado B Viagem

Museu do Apartheid mostra como foi o regime absurdo. Negros e brancos sequer passavam pela mesma porta

Eles não tinham direito às mesmas escolas, postos de trabalho e atendimento de saúde. Sempre restava a eles um serviço inferior.

Não podiam se casar e nem fazer sexo com brancos. Chegaram a perder a cidadania, violentados de todas as formas, por serem negros. De um absurdo sem fim.

O regime durou de 1948 a 1994. Um dos passeios mais legais para ver como tudo acontecia é o Museu do Apartheid, em Joanesburgo, que conto em mais detalhes logo abaixo. Um dos passos para reviver o líder.

Quem gosta de viagem com conteúdo, cultura e história está no lugar certo. Veja como explorar a luta de Madiba e compreender melhor a cultura da África do Sul.

De bônus, depois dessas visitas, volte para o Brasil com mais resistência diante dos perrengues da vida.

“A grandeza da vida não consiste em não cair nunca, mas em nos levantarmos cada vez que caímos” *

Refaça os passos de Mandela

Vou listar aqui como são 3 lugares fantásticos que visitei, dos 100 para compreender e emocionar-se com a história do país.

Passei pela casa onde Mandela morou, para entender mais sobre sua família e vida simples em Joanesburgo.

Visitei o museu do Apartheid, que me ajudou a mensurar – e me revoltar ainda mais – com o tamanho do absurdo que os sul-africanos viveram.

Finalmente, fui ao Capture Site, o lugar onde ele foi capturado para a prisão e está uma das esculturas mais interessantes que já vi. Logo abaixo.

“Ninguém nasce odiando o outro pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar” *

OUTRA REPORTAGEM

No centenário de Mandela, cartas que ele escreveu na prisão viram livro

Agência EFE/Jahnesburgo

Julho 16, 2018

Durante os 27 anos em que esteve preso, Nelson Mandela escreveu centenas de cartas, que agora, no ano do centenário do nascimento do líder da luta contra o apartheid, ganharam forma de livro na África do Sul para contar suas experiências atrás das grades.

“Cartas da Prisão de Nelson Mandela” (título não oficial em português) reúne 255 mensagens escritas por “Madiba”, como é conhecido popularmente no país natal e que completaria 100 anos em 18 de julho.

Mandela escreveu as cartas entre o final de 1962 – logo antes de ser levado ao presídio de segurança máxima de Robben Island (Cidade do Cabo) – e 11 de fevereiro de 1990, dia em que voltou a ser um homem livre no prelúdio do desmantelamento do regime de segregação racial sul-africano.

“Minhas queridas, mais uma vez, a nossa querida mãe foi detida, e agora tanto ela como o papai estão na prisão. O meu coração sangra ao pensar nela sentada em alguma cela policial longe de casa, talvez sozinha e sem ninguém com quem conversar, nem nada para ler. Vinte e quatro horas por dia tendo saudade das suas crianças”, diz uma das mensagens, enviada às suas filhas Zinzi e Zenani em junho de 1969.

Há também cartas escritas a sua segunda esposa, Winnie Madikizela-Mandela, a políticos, às autoridades da prisão e a seus advogados e amigos, organizadas em ordem cronológica.

“Ele escreveu cartas desde o início e até o último minuto, é impressionante”, disse à Agência Efe Sahm Venter, editora da obra.

O que começou como um projeto jornalístico terminou se transformando em um livro que conta a história de Mandela de maneira incomum: é o marido impotente que sabe que sua esposa sofre, o pai ausente nos aniversários e o avô que não conhece os netos.

“Sua foto é fonte de consolo quando penso em ti, olhá-la várias vezes é a única coisa que me dá conforto quando o amor e a lembrança me engolem. Seu estado e saúde e o das nossas filhas, os reconhecimentos e tudo o que inquieta sua alma me preocupa”, escreveu Mandela a sua esposa em setembro de 1976.

O líder também tentou melhorar as degradantes condições dos prisioneiros políticos e passar informações fundamentais para seus companheiros de luta.

“Temos, além disso, o Mandela líder, o sonhador e, sobretudo, o otimista. Pode-se pensar que na sua situação em algum momento poderia ter se dado por vencido, mas este é o retrato de uma pessoa que decidiu não renunciar nunca a sua dignidade, sem importar o que acontecesse”, afirmou a editora.

Sahm passou dez anos trabalhando com os arquivos dos registros oficiais sobre Mandela na prisão e em contato com amigos e conhecidos do Nobel da Paz para compilar todas as mensagens possíveis.

Algumas revelam fragmentos de histórias que até agora não eram conhecidas ou sobre as quais não havia provas, nem contexto.

“As cartas contam não só a história do que acontecia na prisão e no mundo, mas do que passava pela sua cabeça. Contam a história do que era ser aquela pessoa na prisão”, disse Sahm.

A editora cita como exemplo uma carta na qual Mandela pedia permissão ao ministro da Justiça para que sua esposa pudesse ter uma arma de fogo, algo altamente incomum para uma pessoa negra que, além disso, era uma notável oponente política.

Na mensagem, Mandela cita cartas de Winnie nas quais ela descrevia ataques sofridos até na sua própria casa, como uma noite na qual acordou ao perceber que alguém tentava estrangulá-la.

“Dá para imaginar o que é ser o marido e saber que tentam matar sua mulher várias vezes, mas não poder fazer nada exceto escrever ao ministro da Justiça? Ele nunca conseguiu a permissão, mas tentou. Ele tentava ser o marido, o pai e o líder”, ressaltou Sahm.

Todas as cartas escritas por Mandela foram revisadas, copiadas e censuradas pelos funcionários do presídio.

No início, só era permitido aos detentos escrever seis correspondências ao ano, e muitas nunca foram enviadas a seus destinatários, mas “Madiba” redigiu mensagens que hoje fazem parte da história de luta contra a opressão da maioria negra sul-africana.

“Cartas da Prisão De Nelson Mandela” é só o primeiro volume de cartas de um total de três que a editora deve publicar.

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Fabiano
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