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Otavio Frias Filho era diretor de redação do jornal Folha de São Paulo

22 de Agosto de 2018

Morre jornalista Otavio Frias Filho, aos 61 anos

Pelas mãos de Otavio, a 'Folha de S.Paulo' se tornou o que é hoje: um jornal radical na busca por independência e isenção

Por Jornal Nacional

Morreu na terça-feira (21/08) em São Paulo, o jornalista Otavio Frias Filho que, por 34 anos, foi o diretor de redação do jornal “Folha de S. Paulo”. Nesse período, ele modernizou e transformou o jornal num dos mais importantes do país e teve forte influência no jornalismo brasileiro.

Em 24 de maio de 1984, a “Folha de S.Paulo” estampava um passo importante na trajetória de Otavio Frias Filho e na sua própria: a primeira capa em que o jornalista aparecia como diretor de redação.

O começo não foi fácil. O jovem, de 26 anos, enfrentou resistência interna e externa, especialmente porque era filho do dono, Octavio Frias de Oliveira.

“A memória do meu pai é um emblema muito importante na minha vida, na minha formação”.

O início na “Folha” tinha sido bem antes.

“Aos 21, por conta da conexão familiar. Comecei muito cedo trabalhando com meu pai, trabalhei também com o Claudio Abramo, passei por diversas fases e períodos do jornal”.

Naquele período, a “Folha” já tinha começado seu processo de modernização havia dez anos, buscando ser um veículo de imprensa independente das forças políticas.

Já tinha se afastado havia uma década do apoio que, por dez anos, deu à ditadura militar. Nos 50 anos do golpe de 1964, sob sua direção, a “Folha” abordou o tema em um editorial:

“Às vezes se cobra desta ‘Folha’ ter apoiado a ditadura durante a primeira metade de sua vigência, tornando-se um dos veículos mais críticos na metade seguinte. Não há dúvida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro”.

Mas foi sem dúvida nas mãos de Otavio que esse processo de modernização se radicalizou, se aprofundou e se consolidou. A “Folha de S.Paulo” se tornou o que é hoje: um jornal radical na busca por independência e isenção.

Otavio Frias Filho, assim que assumiu o comando da redação, lançou o Projeto Folha, que transformou o jornal e foi referência para as outras mudanças. Com esse espírito, criou um manual de redação.

O documento pregava um texto mais descritivo, rigoroso e impessoal, menos sujeito a impressões do autor, e que influenciou toda uma geração de jornalistas, professores e estudantes da profissão.

“Nós estabelecemos alguns pressupostos em termos de projeto editorial. A gente costuma dizer que a gente está empenhada em praticar um jornalismo que seja crítico, apartidário e pluralista”.

Um momento que marcou o jornal logo no início da gestão de Otavio foi a decisão de encampar o movimento pelas Diretas Já, em 1984, que pedia eleições diretas para presidente da República após o fim do mandato de João Figueiredo.

Em 1989, a “Folha” foi o primeiro jornal brasileiro a implantar a função de ombudsman - um jornalista cuja função é criticar com liberdade a forma e o conteúdo do jornal.

Paulistano, Otavio dizia que a “Folha” ficou conhecida como o jornal dos imigrantes.

“Voltou-se para milhões pessoas que nasciam ou chegavam a São Paulo dispostas a abrir seu próprio caminho e encontrar seu lugar ao sol. A ‘Folha’ tornou-se um espelho dessas pessoas. Incorporou sua inquietude, seu arrojo e suas ambições”.

Nos 34 anos como diretor do jornal, passou por turbulências políticas e econômicas e um período de profundas transformações no mundo e no Brasil, que ele dizia que foram acompanhadas também pela “Folha” e pelo jornalismo.

“O jornalismo se desenvolveu muito, passou a contemplar áreas que não eram objeto da atenção dos jornalistas, acho que as coberturas se tornaram mais críticas, mais incisivas, acho que houve também um avanço de os jornais e o jornalismo de um modo geral apresentarem visões mais plurais a respeito da realidade, diferentes pontos de vista”.

Sobre o surgimento das novas mídias, era um entusiasta.

“Elas colocam dificuldades, problemas, desafios também, mas eu acho que quanto mais plataformas e veículos e possibilidades de comunicação jornalística houver, isso vai beneficiar a sociedade e o próprio jornalismo. Haverá mais competição e a competição em si é algo de bom”.

Em 2000, participou da criação do jornal “Valor econômico”, uma parceria do Grupo Folha com o Grupo Globo. Em 2016, o Grupo Globo passou a ser o único proprietário do jornal.

Frias Filho era apaixonado por teatro, cinema, literatura e dizia ser muito exigente com a própria produção.

Autor de peças de teatro e livros, entre eles, um infantil e uma coletânea de 25 ensaios escritos ao longo da carreira.

“Eu sempre gostei de escrever, sempre gostei de ler, sempre foi assim um tipo de atmosfera na qual eu me sentia à vontade. Você acaba levando duas vidas, uma vida que é a sua atividade profissional, sua responsabilidade, seu dia a dia e uma outra vida que, no meu caso, eu desenvolvi esse lado autoral”.

Mas foi no jornalismo onde, sobretudo, deixou sua marca.

“Divulgar a verdade, estimular um exercício consciente da cidadania, iluminar o debate dos problemas coletivos - que outra atividade seria mais elogiável e necessária do que essa?”

G1/Jornal Nacional

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Fabiano
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