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Reprodução/Ricardo Rodrigues
Fernando Collor não é mais candidato ao governo de Alagoas

16 de Setembro de 2018

Collor joga a toalha e fura-olho do Biu de Lira

Senador frustra mais uma vez expectativa do povo ao renunciar candidatura ao governo

Mais um para a lista dos traídos pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTC). A vítima do fura-olho desta vez é senador e candidato à reeleição Benedito de Lira (PP). Com a renúncia de Collor, o palanque de Biu de Lira ruiu. A casa caiu. A queda ameaça não só a candidatura de Biu como a de seu filho Arthur Lira (PP), cujo retorno à Câmara Federal está cada vez mais difícil.

Apesar do dinheiro que tem – não é à toa que responde a processo por enriquecimento ilícito; ele e o pai – Arthur sofre uma rejeição muito grande junto ao eleitorado. Principalmente por ter votado contra os trabalhadores na reforma trabalhista e por ter ajudado a livrar o presidente Michel Temer (MDB) de ser processado por corrupção.

Preocupado com a possibilidade de ser preso, caso perca o mandato e com ele a imunidade parlamentar, Arthur tenta a reeleição a todo custo. Nervoso com a possibilidade de derrota, quase foi as vias de fato com Fernando Collor, numa reunião com a cúpula da coligação para tentar corrigir o rumo da campanha.

No pronunciamento que fez, nas redes sociais, para anunciar a renúncia, Collor deixou claro que o grupo de oposição está dividido e não cumpriu os compromissos com ele. “Todos sabem do meu destemor. Cumpro minha palavra, mas peço reciprocidade. Na ausência dela perde sentido a missão a mim atribuída”.

Sem a unidade em torno do seu nome e vendo a possibilidade de derrota nas urnas cada vez mais perto, Collor joga a toalha e deixa o ringue antes de perder para ser principal adversário, por nocaute. Com mais de 50% da preferência do eleitorado, Renan Filho tinha tudo para derrota-lo no primeiro turno. Agora ganha por WO*.

O grupo de oposição – liderado por Biu e Arthur Lira – nunca esteve coeso e unido, como quis ver Collor em seu pronunciamento. Desde a convenção, para o lançamento do nome de Collor, que os tucanos de alta plumagem, como o ex-governador Teotônio Vilela e o prefeito Rui Palmeira (PSDB), estavam insatisfeitos com a “escolha”.

Não foram nem lá. “No palanque de Collor, eu não piso”, afirmou o deputado estadual Rodrigo Cunha, que preferiu fazer campanha “independente” para o Senado. Resultado: a candidatura dele cresceu tanto que ameaça a reeleição de Biu de Lira e até a liderança do senador Renan Calheiros, também candidato à reeleição pelo MDB.

BRIGA PELO SENADO

Renan e Biu brigam pelo primeiro voto, Rodrigo amealha o segundo – muito mais que seu concorrente direto, o deputado federal Maurício Quintella (PR). Com isso, enquanto os cabeça de chapa dividem o primeiro voto, Cunha, correndo por fora, vai ficando com as sobras dos votos de Renan e Biu. Ou seja, tem tudo para ser eleito.

Tanto tem que nas hostes de Biu, o senador a sabe que o “menino” o passou e ele “dançou”. Literalmente. Nos grupos da situação, o avanço de Cunha também preocupa. Por isso, a ordem é votar em qualquer um, menos em Biu e no tucano. A opção menos arriscada do segundo voto, entre os governistas, é Mauricio Quintella.

– O problema é que ele não bate em ninguém, nem no Rodrigo, para ajudar o senador –, comentou um assessor governista, “Renan de carteirinha”. Quintela, a exemplo dos demais deputados federais, sofre o desgaste da aliança com Temer ou Dilma. Por isso, a renovação na Câmara Federal deve ser grande e superar eleições anteriores.

No caso de Arthur Lira, a derrota, se conformada, pode ser atribuída a Collor, considerado o maior “fura olho” da política alagoana. Diz que é “destemido”, mas já renunciou várias vezes e só saiu candidato ao Senado em 2006, porque o “cavalo passou selado”, no rastro da fraude eleitoral que derrotou o usineiro João Lyra, no primeiro turno.

Naquela oportunidade, Collor também “furou o olho” do então candidato ao Senado José Thomaz Nonô. Procurado pelo ex-deputado do DEM, sede da TV Gazeta, Collor disse que não era candidato e que iria apoiar Nonô, dias depois substitui seu motorista e regista sua candidatura do Tribunal Regional Eleitoral a menos de um mês do pleito.

TROCA DE PARTIDO

Eleito pelo nanico PRTB, do presidenciável Levy Fidelix, Collor troca de partido e assume o PTB de Alagoas, a convite de Roberto Jefferson, principal envolvido e delator do esquema do Mensalão. No turbilhão de denúncias de corrupção, que resultou no afastamento de Collor da presidência, Jefferson era seu principal aliado à frente do “Centrão”.

Naquela época, inicio dos anos 90, Collor contava também com outro fiel escudeiro, o então deputado federal Renan Calheiros, líder do seu governo no Congresso. Apesar de tê-lo ajudado a provar medidas impopulares, como o “confisco da poupança”, Renan foi preterido por Collor quando se lançou candidato ao governo de Alagoas, nas eleições de 1990.

O então presidente preferiu apoiar Geraldo Bulhões ao governo, pelo PSC, em detrimento do candidato do seu próprio partido, o PRN. “Eu era pequeno, mas lembro que meu pai foi traído por Collor, nas eleições de 90. Chegou a hora de dar o troco. Vamos derrota-lo”, afirmou Renan Filho, na convenção partidária que o escolheu candidato à reeleição.

Há quem diga que Collor já tinha traído “os Calheiros” dois anos antes, quando Renan perdeu a disputa pela Prefeitura de Maceió para Guilherme Palmeira, nas eleições de 1988. Governador do Estado, Collor foi um péssimo cabo-eleitoral, fez corpo mole e ajudou a derrotar a chapa de Renan, que tinha como vice o saudoso Sabino Romariz.

Por sinal, o ex-senador Guilherme Palmeira também teve os olhos vazados por Collor, quando o ex-presidente deixou o então PFL (ex-Arena) e se filiou ao PMDB, a convite de Renan, em 1985. Com a ajuda dos Calheiros, Collor derrotou seu ex-aliado nas urnas e foi eleito governador de Alagoas em 1986.

PREFEITO BIÕNICO

Traiu também o saudoso Divaldo Suruagy, que junto com Guilherme o fez prefeito biônico de Maceió de 1979 a 1982, a pedido do pai Arnon de Mello. Deixou a prefeitura e foi eleito deputado federal até 1986. Antes de se lançar candidato ao governo, casa-se com Rosane e tem como padrinho Paulo Maluf, considerado o maior corrupto do Brasil.

Collor chegou ao posto mais alto do Estado e não correspondeu à expectativa do povo, deixando o governo com menos de dois anos de mandato, para se lançar candidato à Presidência da República. Derrotou o candidato operário, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, no segundo turno da corrida presidencial, numa votação apertada.

Dois anos depois, Collor é enxotado do poder, acusado de ter se aproveitado do esquema de corrupção montado por seu tesoureiro Paulo Cesar Farias – o saudoso PC Farias. Denunciado até pelo próprio irmão, Pedro Collor, não teve outra alternativa a não ser renunciar à presidência da República, em 1992.

Como punição, Collor teve os direitos políticos cassados: ficou oito anos sem poder participar do processo eleitoral. Com o fim da pena, em 2002 disputou o governo contra o então governador Ronaldo Lessa, mas não logrou êxito de volta às urnas. Só se elegeu senador, em 2006, derrotando o próprio Lessa, porque um esquema de fraude teria sido montado para eleger Teotônio Vilela (PSDB) e derrotar João Lyra (PTB).

A denúncia de fraude nas eleições de 2006, feita pelo usineiro João Lyra, foi matéria de capa da revista Veja e teve repercussão nacional. No entanto, o jornal Gazeta de Alagoas, sob o comando de Collor, não publicou uma linha, mesmo Lyra sendo seu “aliado”. Outro que teve os olhos vazados.

Sabe qual foi a frase de Collor, quando o editor de política da Gazeta quis saber se publicaria a matéria sobre a denúncia de fraude que derrotou João Lyra: “Em casa de enforcado, não se fala em corda”.

*Na linguagem do futebol, perde por WO o time que não entra em campo, na hora do jogo, para enfrentar o adversário a sua espera. Não importa o motivo.

Ricardo Rodrigues repórter do Almanaque Alagoas

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Fabiano
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