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Tânia Rêgo/Agência Brasil
Luciano Paulo dos Santos foi resgatado pelos bombeiros após cerca de quatro horas soterrado e conta que ficou consciente o tempo todo

13 de Abril de 2019

Prédios desabam e sete pessoas morrem no Rio

Sobrevivente volta à Muzema e relata o resgate: "Escavei com as mãos"

O Corpo de Bombeiros elevou no fim da manhã de hoje (13) para 17 o número de possíveis desaparecidos nos desabamentos de ontem na Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo o coordenador de operações Luciano Sarmento, que é coronel bombeiro, explicou que o número de desaparecidos varia porque depende de uma investigação junto a familiares e vizinhos:

"Esse número é dinâmico e varia de acordo com as informações. Paralelo ao trabalho de resgate, temos uma equipe de investigação junto as famílias e vizinhos", disse o coronel, que afirma que as buscas se darão de forma ininterrupta até que sejam esgotadas.

Mais de 100 bombeiros e agentes da defesa civil trabalham no resgate, que conta com a ajuda de cães farejadores e equipamentos específicos para o salvamento em estruturas colapsadas.

O resgate em desabamento de prédios deixa mais esperanças de encontrar sobreviventes que no caso dos deslizamentos de terra, comparou o bombeiro.

"Podemos encontrar células [locais sob os escombros] que têm um pequeno habitat em que a pessoa pode se manter respirando. Realmente o tempo é nosso inimigo, mas já temos relatos de pessoas que sobreviveram em desastres de até sete dias".

Ao todo, cinco corpos foram retirados dos escombros e dois dos dez resgatados com vida morreram em unidades de saúde. Entre os 17 desaparecidos, é provável que haja crianças, segundo o coronel, que não especificou o número.

Sobrevivente volta à Muzema e relata o resgate: "Escavei com as mãos"

Publicado em 13/04/2019 - 12:32 Por Vinícius Lisboa - repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

Um dia depois de ter sido retirado dos escombros, Luciano Paulo dos Santos, de 38 anos, voltou hoje (13) ao local dos desabamentos que deixaram sete mortos na Muzema para tentar recuperar documentos que ficaram em seu apartamento. Ele foi resgatado pelos bombeiros após cerca de quatro horas soterrado e conta que ficou consciente o tempo todo.

"Eu não costumo acordar às 6h, mas devido às fortes chuvas, acordei para não chegar atrasado no trabalho", conta ele, que primeiro ouviu os gritos dos moradores do prédio ao lado. "Quando abri a janela, vi o ar condicionado passando [conforme o prédio desabava]".

O chefe de cozinha mineiro conta que fugiu para o corredor, e lá sentiu que o seu prédio também começou a afundar sobre os seis andares de baixo, já que ele morava no último. Luciano caiu, e uma coluna de seu apartamento caiu ao seu lado. Sobre ela, caiu uma parede e a laje. "Fiquei em uma caverninha", lembra ele.

"Ai, fui escavando com a mão. Comecei a tirar as pedras e me locomover igual a uma minhoca entre os escombros", conta ele, que afirma que teve elasticidade para se contorcer porque fazia yoga.

Ao ouvir o trabalho dos bombeiros, ele pediu socorro e foi localizado. Depois de resgatado, Luciano foi levado para o Hospital Lourenço Jorge, de onde teve alta, aliviado e triste com a notícia da morte de seus vizinhos. "Conhecia todos eles", lamentou ele, que morava sozinho e agora está abrigado na casa de uma amiga.

Luciano Paulo dos Santos

Luciano Paulo dos Santos foi resgatado pelos bombeiros após cerca de quatro horas soterrado e conta que ficou consciente o tempo todo - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em busca de um apartamento próprio, Luciano se mudou para o prédio que desabou em setembro, e conta que ainda não havia percebido nenhum sinal de instabilidade na estrutura. "Nem depois das chuvas", reforça ele.

Durante a manhã de hoje, a rua do desabamento continuava interditada para o trabalho de resgate. Ao menos 12 pessoas são consideradas desaparecidas. Moradores de outros prédios vizinhos aos que estão interditados se revezam para buscar coisas em casa, acompanhados de agentes da Defesa Civil.

A arrumadeira Socorro Rodrigues, de 55 anos, conta que chegou ao condomínio há um ano em busca de uma vida mais tranquila. Os tiroteios frequentes na Favela da Rocinha fizeram com que se mudasse para a zona oeste. Sem poder entrar em sua casa, ela acompanha o trabalho de resgate.

"Está difícil pra todo mundo. A gente só pode entrar para pegar roupas e sair. Não pode dormir, não pode fazer nada", lamenta ela, que espera voltar para o apartamento que comprou, mesmo após o desabamento do prédio vizinho. Ela conta que a primeira vez que sentiu medo foi ao ver a grande quantidade de lama que desceu a rua durante os temporais desta semana, mas tem fé de que poderá voltar para casa onde mora com o irmão e dois sobrinhos

"Não posso perder a fé. Se Deus quiser, vai dar tudo certo".

Peritos da Polícia Civil estiveram no local do desabamento na manhã de hoje. Em meio à apreensão e ao trabalho dos profissionais de resgate, voluntários católicos e evangélicos se uniram para servir água e comida.

A Paróquia de São Bartolomeu, no Itanhangá, está recebendo doações para montar cestas básicas para as familias afetadas pelo desastre. Além disso, os voluntários servirão entre 100 e 150 almoços para os bombeiros, guardas municipais e outros profissionais no local. Já fiéis da Igreja Batista Recomeço, que fica ruas abaixo do desmoronamento, serviu café da manhã.

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Vinícius Lisboa/Agência Brasil Rio de Janeiro

Comentários

mito triste

13 de Abril de 2019

muito triste

Fabiano
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