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Esgotamento: síndrome de Burnout reflete estresse causado pelo trabalho

30 de Maio de 2019

OMS diz que síndrome de "burnout" não é doença

Organização indicou que o "esgotamento profissional" havia sido incluído na nova Classificação Internacional de Doenças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o 'burnout' é um "fenômeno ligado ao trabalho" e não uma doença, declarou na última terça-feira (28/05) um porta-voz, ao apresentar novas explicações sobre o que foi anunciado na véspera pela agência especializada da ONU.

Na segunda-feira, a OMS indicou que o 'burnout', um conceito comumente traduzido como "esgotamento profissional", havia sido incluído na nova Classificação Internacional de Doenças.

A lista é baseada nas conclusões de especialistas de todo o mundo e é utilizada para estabelecer tendências e estatísticas de saúde.

Mas nesta terça-feira um porta-voz se pronunciou para fazer uma correção e explicou que o 'burnout' já estava na classificação precedente, no capítulo "Fatores que influenciam a saúde".

"A inclusão neste capítulo significa precisamente que o 'burnout' não é conceitualizado como uma condição médica, mas como um fenômeno ligado ao trabalho", escreveu o porta-voz em nota enviada à imprensa.

Ele precisou que apenas a definição do 'burnout' "foi modificada à luz de pesquisas atuais".

É DOENÇA OU NÃO?

OMS reconhece esgotamento profissional como doença

No Brasil, aproximadamente 30 milhões de pessoas sofrem com esse problema

Por THUANY MOTTA

28/05/19 - 03h00

A síndrome de burnout– ou esgotamento profissional – foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como estresse crônico e agora está incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID). No Brasil, cerca de 30 milhões de pessoas sofrem com o problema, segundo a Associação Internacional de Controle do Estresse (Isma-BR).

A lista da OMS foi definida com base nas conclusões de especialistas de todo o mundo e serve para estabelecer tendências e estatísticas de saúde. Na nova versão do documento – que vale oficialmente a partir de 2022 – o transtorno foi adicionado ao capítulo de “problemas associados” ao emprego ou ao desemprego e recebeu o código QD85. O registro da OMS explica que a síndrome de burnout “se refere especificamente a fenômenos relativos ao contexto profissional e não deve ser utilizada para descrever experiências em outros âmbitos da vida”.

De acordo com os especialistas, essa definição estabelece uma linguagem comum que facilita a troca de informações entre os profissionais da área da saúde em todo o mundo. Os que têm a síndrome podem se sentir muito mais acolhidos a partir dessa medida, segundo a psiquiatra Fátima Vasconcelos, diretora da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Isso é importante, porque cada vez mais temos pessoas apresentando os sintomas em decorrência de uma realidade profissional altamente estressante”, afirma.

Entendendo o burnout

Na lista da OMS, o transtorno foi descrito como “uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito”. E ela se caracteriza por três elementos: “sensação de esgotamento, cinismo ou sentimentos negativos relacionados a seu trabalho e eficácia profissional reduzida”.

Segundo a psicanalista Ângela Mathylde, os principais sintomas envolvem três frentes: física, emocional e cognitiva. “Uma pessoa com síndrome de burnout costuma apresentar cansaço excessivo – físico e mental –, insônia, alterações no apetite, dificuldades de concentração e sentimentos de fracasso e insegurança”, explica a especialista.

Boa parte desses sinais foi exteriorizada pela advogada Rachel Moraes, 33. Ela sofre com eles desde o início da carreira. “Tenho o hábito de levar trabalho para casa e virar a noite. Já cheguei a analisar sete processos de uma vez. Não como direito, não durmo bem e vivo estressada”, diz.

O pior episódio aconteceu em 2015. “Comecei a sentir dormência nos braços, taquicardia e tremores. Senti que ia morrer”, relata. Após o susto, a advogada procurou ajuda. “Tomei medicamentos, passei a fazer terapia e, hoje, consigo me controlar”, conta Rachel.

Outros transtornos na mesma pauta

A nova lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui, ainda, novos capítulos, um deles dedicado à saúde sexual. São abrangidas condições anteriormente classificadas em outras listas, como a “incongruência de gênero” e a transexualidade, até então mencionadas na seção de enfermidades mentais.

Outro transtorno adicionado ao documento da OMS é o vício em jogos digitais, presente no capítulo sobre dependência.

De acordo com a psiquiatra Fátima Vasconcelos, as novas mudanças refletem o cenário vivido em todo o mundo. “A OMS está apenas reconhecendo o que está acontecendo há algum tempo em todo o mundo. Todos esses temas são atuais e precisam de um olhar mais profundo para auxiliar os especialistas da saúde”, afirma.

O problema foi descrito como "uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito" e que se caracteriza por três elementos: "sensação de esgotamento, cinismo ou sentimentos negativos relacionados a seu trabalho e eficácia profissional reduzida".

O registro da OMS explica que o esgotamento "se refere especificamente a fenômenos relativos ao contexto profissional e não deve ser utilizado para descrever experiências em outros âmbitos da vida".

A nova classificação, chamada CIP-11, publicada ano passado, foi aprovada durante a 72ª Assembleia Mundial da OMS e entrará em vigor no dia 1 de janeiro de 2022.

A Classificação de Doenças da OMS estabelece uma linguagem comum que facilita o intercâmbio de informações entre os profissionais da área da saúde ao redor do planeta.

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