Almanaque Alagoas - Vida inteligente na web
CUIDADO

Notícias

Opinião

08 de Setembro de 2019

Leia o nosso editoral: "Que País é esse!?"

Artigo do jornalista Ricardo Rodrigues discorre sobre o atual quadro politico nacional

Nos meus arquivos inúteis, como o mestre Arthur Ramos tratava seus cadernos de anotações, consta por acaso um editorial da revista Diplomatique Brasil, de novembro de 2010, que fala sobre a nova classe média. Ligada ao jornal francês Le Monde, mas editada no Brasil, a revista reconhece que a estabilidade econômica foi decisiva para o presidente Lula fazer de Dilma Rousseff, até então nunca testada nas urnas, sua sucessora no comando petista do País. Naquela época, o prestigio do presidente era tanto que “elegeria um poste”, como comentava alguns analistas políticos.

O texto como o título “O futuro da classe média” começa exatamente assim: “Passado o momento das eleições, em que a imagem de um ‘Brasil que deu certo’ foi apregoada aos quatro ventos, é preciso reconhecer que, mesmo com a maré boa do crescimento e com as políticas sociais do governo federal que permitiram uma redução substantiva do número de pobres e miseráveis, estamos muito longe de superar nossos problemas estruturais, especialmente a desigualdade social, que continua sendo das maiores do mundo”.

Ou seja, a disparidade social ainda era imensa, mas pelo menos tinha diminuído, durante o governo Lula. Esse legado ninguém tira dele, por mais que queiram jogá-lo na vala dos políticos ladrões – onde, por sinal, nem todos se encontram, a começar com o ex-senador tucano Aécio Neves. Portanto se Lula ajudou a reduzir a pobreza no Brasil, contribuindo para diminui o abismo social entre ricos e pobres, foi um herói nacional, por isso foi tão odiado pela burguesia e adorado pelo povo.

Apesar do processo de linchamento moral a que foi submetido, Lula resiste bravamente, mantendo-se altivo e enérgico em defesa da sua inocência e contra aqueles que o acusaram impunemente. Sobre as acusações de ladrão, responde com a sabedoria de quem tem a consciência tranquila, com outra pergunta básica: “provem que eu roubei ou apresentem o fruto do roubo”. Num País onde não basta ser honesto, tem que provar, Lula teve que provar que não tem nada em seu nome ou com ele que o incrimine. Simples assim.

As acusações que fizeram contra ele, mesmo as mais graves, não seriam suficientes para leva-lo ao cárcere, no máximo a pagar pelos erros junto ao fisco e ressarcir ao erário no mesmo diapasão, já que serviço público voluntário ele vem prestando desde que deu início à sua militância sindical. Foi como líder dos metalúrgicos que visitou muitas vezes as sedes das multinacionais nos Estados Unidos e na Alemanha, para negociar melhorias salariais que mudariam a vida dos operários brasileiros, seus companheiros de luta.

Foi a partir das greves do ABC paulista, por melhores condições de vida e contra a ditadura, que o movimento sindical apresentou ao Brasil um grande líder: Luiz Inácio Lula da Silva. A partir dali, o barbudinho dava início a sua trajetória política vitoriosa. Apesar de três derrotas nas urnas, uma para Collor em 1989 e duas para FHC nos anos 90, Lula insiste percorre o país e chega à presidência em 2002. Depois, comete o erro de se juntar com quem não presta, para se manter no poder até 2014, com a reeleição de Dilma e a campanha da mídia contra o petismo, com o envolvimento do PT com corrupção e caixa 2.

O partido que pregou a moralidade e combate à corrupção, estava no centro das denuncia, de pedra virou vidraça. Resultado terminou provando do próprio veneno e pagando caro pelos dólares na cueca, amargou o ostracismo ao ser jogado na mesma vala comum dos partidos burgueses, corruptos por natureza. A maioria de direita ou filhotes da ditadura. Essa guinada petista se intensificou quando o partido chegou ao poder e seus principais quadros se deslumbraram com os mimos, o conforto e o banquete da burguesia.

A aproximação do PT com os partidos neoliberais provocou um racha na esquerda e a saída de várias lideranças históricas das hostes petista. Surgem então o PSTU (ex-Convergência Socialista), o PSol e o Rede, de Marina Silva. Todos no rastro da decepção das lideranças de esquerda com as posições petistas e suas alianças eleitorais. Em Alagoas, Heloisa Helena, uma das mais autenticas petistas, deixou o partido, ou melhor, foi expulsa, porque não concordou com a aliança que o PT local fez com o PL de João Caldas, até então envolvido até o talo em escândalos de corrupção e até sumiço de tratores.

Anos depois, a mesma burguesia que o PT se aliou tratou de lhe puxar o tapete, quando o vice Temer se volta contra a dona do trono e conspira como ela até destituí-la do cargo, com a ajuda da mídia golpista e a justiça injusta. A pá de cal no petismo veio logo em seguida, com a prisão de Lula e a maior campanha de difamação a que um político já foi submetido no território brasileiro. Passou de líder dos trabalhadores, de pai dos pobres para ladrão de carteirinha, com acusações gravíssimas de enriquecimento ilícito, recebimento de propina e omissão na dilapidação do patrimônio público nacional.

Lula e Dilma acusados de quebrar a Petrobrás. Devassados pela PF na Operação Lava jato, como os piores vilões do pais. Igualados a patifes do quilate de Sergio Cabral, Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, só para citar alguns dos escroques mais recentes do pais. No entanto, toda essa corrente de corrupção vem de antes da lava Jato destampar o bueiro da corrupção no Brasil, vem da época do descobrimento, ou da Nova República, com os Anões do Orçamento, a turma de Collor e PC, passando por Sarney, Itamar e FHC. Ou seja, desde que me entendo por gente, que a lei sempre foi suspeita e vilipendiada, no meu Brasil varonil.

Portanto, é essa a leitura que eu faço, aproveitando o ensejo para dizer, que se o muito vale o já feito mais vale o será, o que será de nós como esse fantoche de presidente na presidência do Brasil. – Que País é esse, onde o líder o povo está preso, acusado de ladrão. E seu algoz no topo do poder, no comando de tudo e com tudo aparentemente dominado. Fazendo com que as coisas piorarem, tocando literalmente fogo no País e detratando as potencias que sempre nos ajudaram, para tecer loas ao verdadeiro déspota do mundo, que persegue com truculência as pessoas que querem ganhar a vida em solo norte-americano.

É uma vergonha viver num País onde o seu presidente faz questão se ser capacho dos norte-americanos e não faz nada para impedir que o Brasil seja entregue da mão beijada ao capital internacional. Enquanto o povo sofre sem emprego, renda e entra pelo cano. Aliado a um tirano – o racista e direitista presidente dos EUA Donald Trump, Jair Bolsonaro mostra porque é um entreguista. Vai vender até a soberania nacional. Isso ficou claro na campanha presidencial ao ser apoiado por Trump, na base do fack news, logo após prestar continência ao tubarão ianque, num gesto claro de subserviência.

Que país é esse!?

Redação do AA

Comentários

Fabiano
id5 soluções web Tengu Criação - Tengu :: Tecnologia id5