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Rabino Henry Sobel morre aos 75 anos

24 de Novembro de 2019

Rabino Henry Sobel morre nos EUA aos 75 anos

Líder religioso, que se destacou na defesa dos direitos humanos no Brasil, tinha câncer de pulmão.

Morreu aos 75 anos, em Miami, nos Estados Unidos, o rabino Henry Sobel. O líder religioso que se destacou na defesa dos direitos humanos no Brasil tinha câncer de pulmão.

Henry Sobel nasceu em Portugal enquanto os pais fugiam do nazismo. Chegou ainda criança aos Estados Unidos, onde fez sua formação religiosa. Vem de lá o sotaque forte que se tornaria conhecido como o quipá vinho sobre os cabelos compridos.

“O que mais amo em São Paulo é ver pessoas das mais diversas origens, tantas nacionalidades diferentes, tantos credos diferentes. Todos convivendo tão bem”, contou ele em uma entrevista.

Henry Sobel se mudou para São Paulo em 1970, logo depois de se tornar rabino nos Estados Unidos. Veio a convite da Congregação Israelita Paulista para cuidar da sua comunidade. Só que, por fazer bem mais que isso, acabou se tornando um exemplo para muitos, uma espécie de rabino de todos os brasileiros.

Chegou em plena ditadura militar e se tornou um dos símbolos da defesa dos direitos humanos quando se recusou a enterrar o jornalista Vladimir Herzog na ala dos suicidas do cemitério israelita. Foi um ato político contra a versão do governo de que Herzog tinha se matado. Depois, participou da cerimônia em homenagem ao jornalista na Catedral da Sé, ao lado do pastor James Wright e do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

“Para Vladimir Herzog, ser judeu significava ser brasileiro”, disse na época.

“Foi uma pessoa de diálogo, uma pessoa preocupada com os direitos humanos, a dignidade humana. E contribuiu certamente para termos um Brasil melhor”, disse Dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo.

E um país melhor para ele era o do diálogo entre todos.

“Somos irmãos. Irmãos são diferentes, mas aquilo que une irmãos é muito mais forte”, dizia.

“Uma pessoa que conseguia abrir portas da direita, da esquerda, e que era muito respeitada pela classe política e pela intelectualidade brasileira”, afirmou Ricardo Berkiensztat, presidente-executivo da Federação Israelita de São Paulo.

Henry Sobel dizia ver a morte como um navio que desaparece no horizonte para uns, mas que surge esplendoroso lá, do outro lado.

Por Jornal Nacional

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Fabiano
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