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Policiamento e ações estratégicas garantiram redução da modalidade criminosa

13 de Fevereiro de 2020

Assaltos a ônibus caem 50% na capital

Queda no número da violência transforma jornada de trabalho dos rodoviários

A Segurança Pública de Alagoas vem acumulando significativas reduções em diversos indicadores criminais, entre eles o de assaltos a coletivos urbanos. Graças à integração das forças policiais, os rodoviários e os mais de 280 mil passageiros que circulam todos os dias nos ônibus de Maceió percebem uma efetiva mudança em seu dia a dia com a queda no número de ocorrências. A jornada de medo e de insegurança que rondava os profissionais do transporte público deu lugar à tranquilidade e à confiança durante o turno de trabalho.

Dados do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (NEAC) da SSP apontam o registro de cinco assaltos na capital durante o mês de janeiro deste ano, o que representa uma queda de 50%, se compararmos com o mesmo período de 2019, quando dez ocorrências foram contabilizadas

Com mais de oito anos de profissão, a rodoviária Ednalva Bastos* já foi vítima de três assaltos trabalhando de cobradora. Ela relata que cada assalto sofrido foi um trauma diferente que vivenciou. “Eu não tenho cabeça para outro assalto, hoje eu sou uma pessoa muito medrosa, muito ansiosa. Tudo isso é decorrente dos assaltos que sofri. Era muito angustiante ir trabalhar, passar sempre pelo local e imaginar que o assalto poderia acontecer de novo. Hoje me sinto mais segura”, disse.

Na última ação criminosa sofrida pela cobradora, o assaltante manteve uma faca em sua barriga e, além de sacar todo o dinheiro do caixa, exigiu que Ednalva entregasse também o aparelho celular. “Esse foi o meu pior assalto, foi o mais violento, cheguei a pensar em desistir da profissão. Porém, com essa redução na quantidade de assaltos, com mais policiamento, mais abordagens e revistas dentro do coletivo, fico mais tranquila, pois sei que posso contar com a polícia”, afirmou.

Estratégias de segurança

Para traçar estratégias e monitorar a eficácia do trabalho realizado pelas forças de Segurança, a cúpula da SSP, o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário do Estado Alagoas (SINTTRO-AL) e o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Munícipio de Maceió (SINTURB-MAC) se reúnem mensalmente, desde 2014, quando os assaltos alcançaram seus maiores números. Essa política tem garantido uma maior comunicação com todos aqueles que fazem o transporte público de Maceió e dos responsáveis por manter a ordem pública.

Na última terça-feira (4), o grupo de trabalho esteve reunido com a cúpula da Segurança Pública, para discutir os números de janeiro e traçar estratégias.

Representante do Sinttro na reunião, Ernande José, afirma que o trabalho de redução é muito importante para a categoria e para todos que dependem dos ônibus para se locomoverem. “No passado, nós sofríamos assaltos e ficávamos com diversos traumas. O psicológico era abalado e muitos nem conseguiam retornar a suas atividades. Uns tiveram que se aposentar por invalidez e outros passaram a receber o benefício do INSS. Graças a essa redução, a saúde do trabalhador rodoviário melhorou bastante e se sente mais seguro em ir e voltar para casa”, falou.

Comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Neyvaldo Amorim, destaca que as atuações de todos os batalhões são essenciais para o sucesso das ações. “Logo ao amanhecer do dia, o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) já realiza rondas em terminais e, ao longo do dia, o trabalho segue sendo realizado pelos batalhões de área e pelo Programa Ronda no Bairro”, afirmou.

Para o secretário da Segurança Pública, coronel Lima Júnior, o trabalho integrado realizado pelas polícias, o investimento em tecnologia por parte dos empresários e a aproximação com os rodoviários são peças fundamentais para alcançar o patamar que encontramos hoje. “Ao nos reunirmos mensalmente, nossa meta era ter 50 assaltos por mês, o que daria em torno de 600 assaltos em um ano, fomos além e nos dozes meses de 2019, apenas 103 ocorrências foram registradas”, disse.

*O nome real da entrevistada foi preservado.

Texto de Vinícius Teodósio

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Fabiano
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