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Agência Alagoas/Arquivo
Secretário de Saúde do Estado, Alexandre Ayres, confirmou a contaminação de duas mulheres alagoanos pela variante brasileira do novo coronavírus

20 de Fevereiro de 2021

Variante da Covid pode recrudescer pandemia

Leia também a crônica "Me sinto um ET": um desabafo de quem não aguenta mais vê as pessoas sem máscara

Variante da Covid-19 chega à Alagoas e preocupa autoridades

Força Tarefa do MP se reúne esta semana para decidir se sugere ou não toque de recolher em cidades com maior número de casos

Por Ricardo Rodrigues

“Gostei da crônica, vou escrever uma matéria sobre ela”. Foi o que prometi à galera do grupo da família, logo após ler a crônica “Me sinto um ET”, de Anna Sales, que se espalhou pelas mídias sociais. Interessante, a crônica ‘viralizou’ exatamente na mesma semana da confirmação da chegada de uma variante brasileira da Covid-19, em Alagoas.

Foi ouvir o Ministério Público Estadual (MPE). Afinal, é a instituição que defende os direitos do povo. Além disso, a Secretaria de Saúde do Estado acabara de confirmar a contaminação de duas mulheres pela nova variante do cornavírus. A resposta foi a seguinte: a Força Tarefa de combate à Covid-19 vai se reunir, no início desta semana, para decidir o que fazer.

Das duas uma: ou o MPE sugere o toque de recolher, a partir das 22 horas, como fez o Ceará, ou o número de casos da Covid-19 continuarão a crescer. De acordo com infectologistas ouvidos pela imprensa, essa nova variante do cornavírus – que já chegou em onze Estados, incluindo Alagoas – provoca os mesmos sintomas, mas é muitos mais contagiosa que a Covid-19.

Aí onde mora o perigo, porque as pessoas estão relaxando cada vez mais as medidas sanitárias. Com isso, a probabilidade de contaminação se multiplica. Para reduzir, só mesmo uma medida de força ou de impacto. Como aquela do final de janeiro, quando o MPE pediu às prefeituras que não promovessem o Carnaval. A sugestão foi aceita, mesmo assim, algumas cidades registraram aglomerações.

Principalmente, no litoral alagoano, onde os banhistas locais se misturam com os turistas, enfiam o pé na jaca e chutam o balde. Por isso, recorro à cronista que se sentiu uma ‘extraterrestre’, ao perceber que só ela estava de máscara em uma praia do nosso Estado. Exageros à parte, ela tem toda razão. Ou as pessoas usam máscara e param de se aglomerar, ou a Covid-19 vai recrudescer.

E o que é pior: quando a vacina chegar para todos, pode ser tarde demais, caso a variante do novo coronavírus seja mais resistente a ela. Não quero causar pânico, não; mas se essa variante é mais contagiosa, como atestam os infectologistas, essa possibilidade existe. Portanto, antes que ela se espalhe e multiplique o número de casos, vamos redobrar os cuidados.

Uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social. São essas as recomendações para conter o avanço da Covid-19 e suas variantes. Pelo menos, foi a mensagem deixada pelo secretário estadual de Saúde, Alexandre Ayres, logo após confirmar a chegada da variante do novo coronavírus à Alagoas. Segundo ele, caso a pandemia recrudesça, é possível que o governo do Estado tenha que adotar medidas mais rígidas para evitar aglomerações.

SECRETÁRIO CONFIRMA CHEGADA DA NOVA VARIANTE

Segundo ele, duas pacientes do interior do Estado foram confirmadas com a nova variante, após resultado divulgado pela Fiocruz

Foi por meio de uma entrevista coletiva à imprensa, na última quinta-feira (!8/02), que o secretário estadual da Saúde (Sesau) confirmou a chegada da variante brasileira do novo coronavírus ao Estado, com a contaminação de duas mulheres alagoanas. Surgida no Amazonas e denominada de P1, essa variante brasileira já foi detectada em pelo menos 11 Estados, incluindo Alagoas. Além dela, circula pelo País a variante britânica da Covid-19. Essa, até agora, ainda não chegou por aqui.

Antes da fala do secretário, alertando para o recrudescimento da pandemia, a Secretaria Estadual da Saúde já havia divulgado uma Nota Técnica, logo após ter recebido o resultado positivo para dois casos dessa variante, no Estado. O parecer foi emitido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, responsável por examinar as amostras de material biológico colhido das pacientes alagoanas.

As mulheres contaminadas com nova variante da Covid-19 residem nas cidades de Anadia e Viçosa. A paciente de Viçosa tem 36 anos e viajou para Manaus (AM) no mês de janeiro, onde permaneceu na capital do Amazonas por quatro dias. Ao retornar da viagem, essa paciente apresentou os sintomas do novo coronavírus.

O segundo caso é de uma idosa de 64 anos, que não viajou para o Amazonas e não teve contato com nenhuma pessoa do território amazonense ou de qualquer outro Estado brasileiro. Isso mostra que a nova variante P1 do novo coronavírus está em circulação em Alagoas.

Segundo o secretário Alexandre Ayres, após a confirmação da Fiocruz desses dois casos, Alagoas passou a ser o 11º Estado do Brasil a ter a circulação da nova variante da Covid-19.

“Essa nova variante do Amazonas nos chama a atenção por ter uma maior transmissibilidade, mas sem nenhuma confirmação de que os casos sejam mais graves e ou letais. Com uma transmissão maior, isso significa que o vírus deva infectar mais pessoas, caso a população não mantenha as medidas de proteção”, explicou o secretário.

Preocupado com o aumento do número de mortos em Alagoas, que praticamente dobrou do começo do ano para cá, o secretário fez um apelo à população para que redobre os cuidados. Segundo ele, é imprescindível evitar o aumento da ocupação dos leitos na rede pública hospitalar, caso contrário teremos problemas de superlotação, como já vem ocorrendo em alguns hospitais particulares.

“Não existe motivo para pânico com o surgimento dessa nova variante, mas o povo alagoano deve ter a consciência de manter o distanciamento social, evitando as aglomerações, fazendo o uso de máscara ao sair de casa, além de continuar com a higienização das mãos com água, sabão e o uso do álcool em gel”, recomentou Alexandre Ayres. “Somente com a conscientização da população, iremos passar por esse período de dificuldade e voltarmos a nossa antiga normalidade”.

A Sesau também confirmou na Nota Técnica, que a circulação da nova variante do Amazonas em Alagoas não possui nenhuma ligação com os pacientes egressos de Manaus, que foram trazidos para serem tratados em Maceió, em razão do colapso da rede pública hospitalar da capital amazonense.

PREFEITURA DE ANADIA FECHA COMÉRCIO E SUSPENDE AULAS

Após a confirmação da nova variante brasileira do coronavírus no município de Anadia, no interior de Alagoas, o prefeito Celino Rocha (PP) decretou o fechamento de todos os estabelecimentos comerciais, igrejas, escolas e a suspensão de eventos sociais no município durante 15 dias a partir da quinta-feira (18/2).

A medida foi anunciada pelo prefeito, por meio de vídeo conferência. Segundo ele, o prazo pode aumentar se o número de casos continuar aumentando, inclusive com novos pacientes contaminados por essa variante da Caovid-19.

De acordo com a prefeitura de Anadia, a paciente com a nova variante brasileira tem 64 anos, cumpriu o período de isolamento social e se recuperou. Mas, continua sob observação.

A secretária de municipal de saúde, Sônia Mascarenhas, disse que a paciente relatou que não tem histórico de viagem e nem manteve contato com pessoas do Amazonas ou de outro Estado.

“Os sintomas tiveram início em 19 de janeiro apresentando tosse, coriza, mialgia e moleza. No dia 25, foi realizada a coleta para pesquisa de SARS-CoV-2 por RT-PCR, que confirmou a infecção. Seguimos realizando o monitoramento de todos os pacientes que testam positivo e daqueles que realizaram viagens ou tiveram contato com pessoas que estavam fora do Estado”, explicou.

VIÇOSA TAMBEM ESTUDA NOVAS MEDIDAS

A prefeitura de Viçosa deve se posicionar sobre novas medidas de distanciamento social, no início desta semana. Além da paciente de Anadia, a nova variante brasileira do coronavírus, identificada como P1, foi detectada em uma mulher de 36 anos, residente no município de Viçosa, no interior de Alagoas.

Segundo a Sesau, essa mulher tem histórico de viagem para o Amazonas, onde foi registrado o primeiro caso da variante P1. A paciente contaminada passou quadro dia em Manaus, para onde viajou no dia 22 de janeiro de 2021. Lá, ela teve contato com parentes gripados, no entanto sem confirmação positiva para Convid-19.

De volta a Alagoas, essa mulher apresentou os sintomas da doença e teve material recolhido para exames. Foi quando a Fundação Fio Cruz confirmou a infecção por essa variante brasileira surgida no Amazonas.

UM DESABARO EM FORMA DE CRÔNICA

“Me sinto um ET”

Por Anna Sales

“Me sinto um ET”, essa foi a frase que minha mãe disse ao constatar que só eu, ela e meu pai estávamos usando máscaras ao ir à praia. Quase um ano de pandemia, entendo que nem todo mundo tem mais paciência para lidar com o confinamento. Escolhemos uma praia distante, com pouca gente, afinal, moro no Nordeste e o Verão por aqui é sinônimo de muito calor, turistas e praias cheias. Sim, mesmo na pandemia as praias estão cheias de turistas. Tento entender que por um lado é bom, pois movimenta a economia e gera renda. Por outro lado, fico preocupada, pois num calor de 30 graus quem pensa em usar máscara?

“Ah, mas praia é um lugar aberto, tem menos chance de se contaminar pelo vírus”, escuto muitas pessoas justificando. Mas, de acordo com os infectologistas, os cuidados devem permanecer e as chances de transmissão são as mesmas, afinal, pode até ser um lugar aberto, mas com a aglomeração o local se torna tão propício para a contaminação quanto os lugares fechados.

Em Alagoas quase todos os dias os casos confirmados se mostram acima de 400 e desde o começo da pandemia foram constatados 122.491 infectados, segundo o Portal G1, um número alto para um estado que tem como população total pouco mais de 3 milhões de pessoas, mesmos assim, isso parece não preocupar a população. Desde dezembro, quando os casos subiram novamente, não faltaram alertas dos profissionais que estão na linha de frente e do Secretário de Saúde para que se mantenham os cuidados, mas muitos ignoram e desacreditam, basta observar os comentários de qualquer portal de notícias ao tentar alertar a população.

Esses são alguns dos comentários mais 'tranquilos': “Vocês estão gerando pânico na população”, “Deixem de contar mentiras!”, “O governador está aumentando o número de casos para lucrar com isso”. Também tem um clássico que aparece sempre: “Na época da eleição podia aglomerar!”. Esse comentário está presente em quase todas as notícias que citam o coronavírus, principalmente quando informam sobre o cancelamento de eventos tão esperados e tradicionais, como o natal, o carnaval e a festa da Padroeira, a indignação se repete da mesma forma quando é noticiado o fechamento dos locais de lazer como parques de diversões, cinemas e praias.

No período das eleições os casos estavam em queda, porém, logo após começaram a subir. Houve flexibilização e naturalmente um certo descuido. Afinal, quem aguentaria passar tantos meses em casa trancado? Mesmo assim, não dá mais para negar a realidade.

Muitos vivem na onda do negacionismo desde o começo da pandemia e essa atitude vem sendo apoiada pela maior autoridade do país e pelo Ministro da Saúde através da divulgação de remédios sem eficácia comprovada, comparação com uma simples ‘gripezinha’, defesa da inutilização no uso de máscaras e acomodação mediante ao atraso na compra das vacinas. Algumas pessoas caíram nessa farsa e até conseguiram escapar. Outras, infelizmente não tiveram tanta sorte. Há ainda quem pagou o preço pela ignorância de muitos.

As eleições acabaram em novembro de 2020 e já estamos em fevereiro de 2021 com a segunda onda da Covid-19. Vários estados brasileiros estão com a saúde em crise, a exemplo do Amazonas, ainda assim, boa parte da população finge que não enxerga. Não dá mais para fechar os olhos, a ‘gripezinha’ já matou 236.397 brasileiros e não há tratamento precoce. A esperança surge com a vacinação, mas ainda é muito cedo para retomarmos a vida como se a pandemia nunca tivesse existido. “Eu estou cansada de ficar em casa”, alguns podem declarar. Eu também estou, tem dias que acredito não aguentar mais. Porém, sigo tentando ser forte, afinal, a pandemia continua aí e até que ela vá embora, continuarei sendo o ‘ET’ que usa máscara até na praia.

Texto de Anna Sales - Editado por Roanna Nunes

Ricardo Rodrigues
Especial para O Dia

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Fabiano
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