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Agentes federais investigam fraude na vacina em Minas, operação deve acontecer também em Alagoas

03 de Abril de 2021

PF deve investigar fura-filas da vacina em AL

CGU investiga mais de 400 casos suspeitos de fraudes na vacinação em Alagoas

A Polícia Federal deve entrar na investigação sobre os casos suspeitos de fraudar a fila da vacinação, em Alagoas. A informação foi confirmada por um integrante da Controladoria Geral da União (CJU), que investiga cerca de 400 pessoas que teriam se vacinado contra o coronavírus, da faixa e dos grupos prioritários.

A exemplo de Minas Gerais, onde policiais federais prenderam uma falsa enfermeira que teria aplicado vacinas compradas por empresários do setor de transporte, as investigações em Alagoas deverão contar com o reforço da PF.

No início dessa semana, a CGU apresentou os primeiros resultados dessa investigação, durante reunião com integrantes do Ministério Público Estadual (MPAL) e do Ministério Público de Contas (MPC). Entre os casos investigados, um mostrou-se inusitado: a vacinação de pessoas mortas contra a Covid-19.

De acordo com as investigações da CGU, pelo menos 21 pessoas, de onze municípios alagoanos, teriam usado documentos de parentes mortos, com idade dentro da faixa de vacinação, para se vacinar.

Os nomes dessas pessoas e dos mortos vilipendiados ainda não foram revelados. As autoridades das instituições estão fazendo cruzamento de listas e informações. Há suspeita de o número de envolvidos na fraude seja maior.

CRUZAMENTO DE LISTAS

Durante o encontro virtual, a CGU em Alagoas informou que fez um cruzamento de dados em três “trilhas”, com base em informações do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

Com base nesse estudo, “foram detectadas inconsistências de informações que podem caracterizar irregularidades na aplicação das vacinas contra o novo coronavírus, em face das prioridades estabelecidas”.

Dentre as irregularidades detectadas pela CGU, em vários municípios alagoanos, estão supostas aplicações de vacinas em pessoas que já estão falecidas, casos de indivíduos que teriam recebido 3 ou 4 doses e situações de “fura-filas” da imunização, sem os requisitos previstos.

O superintendente da CGU em Alagoas, Moacir Rodrigues de Oliveira, esclareceu aos promotores que outras pessoas podem ter usado os dados dos falecidos de forma indevida, assim como ter havido erro no preenchimento dos dados dos vacinados. “Todos esses fatos estão sendo devidamente apurados, em investigação a ser desencadeada pelo Ministério Público Estadual, acrescentou a assessoria do MPAL.

POLITICOS ENTRE FRAUDADORES

De acordo com o levantamento da CGU, além dos 21 mortos “vacinados”, na lista dos fura-filas aparecem políticos, gestores, vereadores e prefeito. Todos teriam tomado até três doses dos imunizantes distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

São pessoas que gozam de uma certa influência nos 11 municípios alagoanos, onde as fraudes pipocaram. Entre eles, cerca de 300 teriam recebido uma terceira dose da imunização. Os servidores públicos incluídos entre os fraudadores deverão responder processo administrativo, com ameaça até de exoneração.

Durante a reunião virtual, o procurador-chefe do MPC, Gustavo Santos, ficou de providenciar a listagem de servidores públicos estaduais para que haja o cruzamento dessas informações pela CGU, a fim de se identificar possíveis novas irregularidades.

O combate à fraude na vacinação conta com apoio integral do procurador-geral de Justiça em Alagoas, Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, que colocou a Força-Tarefa de Combate à Covid-19 do MPAL à disposição das investigações.

Segundo a assessoria do MPAL, os casos serão apurados pelos promotores de Justiça de cada comarca onde foram detectadas as ocorrências. Os casos sendo confirmados, os promotores de Justiça deverão tomar as devidas providências, responsabilizando os infratores por ato de improbidade administrativa, nas situações envolvendo agentes públicos e políticos.

A vacinação contra a Covid-19 está apenas começando. A fila daqueles que ainda precisam se imunizar ainda é grande. A campanha envolve um esforço grande de todos. Por isso, os agentes da PF estão de olho, já que foram acionados para ajudar nas investigações. Quem se vacinar fora do que estabelecem os protocolos de segurança pode até se livrar do vírus, mas não vai se livrar de responder pelo crime na Justiça.

Ricardo Rodrigues, especial para O DIA
Repórter

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Fabiano
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