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20 de Julho de 2011

Há 40 anos, o homem pisou na Lua e a desmistificou

A alunissagem da Apollo privou a Lua de sua aura de mistério, revelando ao mesmo tempo, graças ao poder da ciência, uma superfície árida e rochosa, inóspita e sem ar

No dia 20 de julho de 1969, há exatos 40 anos, o astronauta americano Neil Armstrong se converteu ao primeiro homem a pisar na Lua e realizou um dos sonhos mais antigos da humanidade. O feito de Armstrong mudou a percepção de nosso lugar no Universo e nosso olhar sobre a Lua, até então um lugar que, por milênios, foi alvo de veneração, sonhos e superstições.

"Quando chegamos lá, desmistificamos a Lua", considerou Roger Launius, chefe do departamento de História Espacial do Smithsonian Institution de Washington.

A alunissagem da Apollo privou a Lua de sua aura de mistério, revelando ao mesmo tempo, graças ao poder da ciência, uma superfície árida e rochosa, inóspita e sem ar.

Flutuando num ambiente negro, nosso planeta azul parecia um lugar de beleza indefinível, um remanso de vida, únido e cálido no infinito espaço frio. Tal como mostrou a histórica e célebre foto de um "amanhecer terrestre" visto da Lua, e tirada da nave Apollo 8 em dezembro de 1968.

Alguns, como os astronautas do programa Apollo, James Irwun e Charles Duke, viram nesta imagem a prova de que a Humanidade foi escolhida para receber um presente divino. Outros o interpretaram como um sinal de nossa terrível solidão. Mostrava ainda o quanto primitivos somos e quanto caminho resta a percorrer antes de fazer uma verdadeira viagem ao espaço ao invés do nos limitarmos a um arriscado pulo até a Lua.

O físico e romancista britânico C.P. Snow afirmou que a Apollo foi a maior exploração humana e talvez a última, prevendo assim um "recuo da Humanidade" nesse sentido. Alguns concluíram que nossa única oportunidade de sobreviver era protegendo nosso precioso refúgio porque simplesmente não há nenhum outro lugar para onde ir.

"Aos seis anos, vi o lançamento da Apollo 11 e Neil Armstrong dar seus pequenos passos", declarou David Wilkinson, teólogo da Universidade de Durham, noreste da Inglaterra, que recebeu formação astrofísica antes de entrar para a Ordem.

"Fiz parte de uma geração que decidiu estudar ciências depois dessa experiência (da viagem ao espaço). Em paralelo aos resultados científicos, a herança da Apollo é seu efeito nesta geração. Mas a Apollo também levantou certas perguntas importantes sobre o lugar dos seres humanos no Universo, sobre nossa responsabilidade ambiental e até sobre a espiritualidade", acrescentou o reverendo Wilkinson.

Para Jacques Arnould, teólogo, monge dominicano e pesquisador encarregado das questões éticas no Centro Nacional de Estudos Espaciais francês (CNES), as imagens da Apollo foram um incentivo à tomada de consciência ecológica, quando, no final da década dos 60, o movimento de defesa do meio ambiente se limitava um pequeno grupo eclético de universitários e "hippies".

Quando os astronautas se afastaram da Terra, ao invés de ficarem extasiados com as estrelas, disseram que a Terra é bela, mas frágil. "Estas declarações formaram o que se chama de consciência ecológica, de que hoje somos herdeiros", assinalou Jacques Arnould.

"Foi a primeira vez na história da Humanidade que se tinha essa distância real, não apenas imaginária, em relação à Terra e que nos dávamos conta de que estávamos todos nesse pequeno planeta azul, todos no mesmo barco".

AFP

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Fabiano
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