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Deusdedit Guimarães cuida, sozinho, de cinco filhos

14 de Agosto de 2011

Homens estão mais conscientes de seu papel como pai

Aos 51 anos, servidor público cuida sozinho de cinco filhos, sendo três adotados

O servidor público Deusdedit Guimarães precisou de alguns minutos e muitos dedos das mãos para listar os nomes dos filhos – nove, no total. Aos 51 anos, ele cuida sozinho de cinco deles, sendo três adotados. “Você não separa e diz: Esse é biológico, esse por adoção. São todos filhos. Os cuidados, os medos, as dificuldades e os problemas são idênticos”, contou.

Deusdedit passou a viver sozinho com os filhos quando a ex-mulher apresentou problemas de saúde, há cerca de três anos. Juntos, eles tiveram João Pedro e Joaquim e também adotaram o sobrinho Wellington. A vontade de ter uma menina fez com que o casal adotasse Débora e, em seguida, Érica. Por fim, a dupla também adotou os gêmeos Marcos e Mateus. Após o fim do casamento, o servidor público teve mais um filho biológico, Eduardo.

Todo domingo, pai e filhos – pelo menos os que têm espaço na agenda – se reúnem para uma conversa. Deusdedit faz questão de conhecer os amigos dos filhos, os locais frequentados e o que gostam de fazer nas horas vagas. Prestes a se tornar avô pela segunda vez, ele garante que está “feliz da vida” com o rumo tomado pela prole.

“O que eu poderia fazer por eles eu fiz e faço. O retorno é a alegria e a felicidade”, disse. “Cada um tem a sua individualidade. Você aprende com eles. Eu mudei a minha forma de ser, de conduzir e educar os filhos. Você muda pra melhor, com certeza”, resumiu.

De acordo com a psicóloga Soraya Pereira, homens que já são pais ou que decidem se tornar pais, atualmente, estão mais próximos dos filhos e mais conscientes do seu papel. Presidente da organização não governamental (ONG) Projeto Aconchego, ela destacou que os homens se mostram, inclusive, mais abertos a experiências como a adoção tardia e não se limitam à preferência por crianças recém-nascidas.

“Quando o homem decide adotar, normalmente já vem com uma certeza e uma predisposição muito grande para fazer aquilo dar certo. São adoções em que eles aceitam a ajuda de um grupo, procuram profissionais para ajudá-los nessa construção”, explicou.

É o caso do cirurgião ginecológico Benedito Fernandes. Pai de quatro filhos e avô de seis, decidiu, aos 64 anos, que seria pai novamente. O médico visitava a ala de cirurgia pediátrica do Hospital Universitário de Brasília (HUB) quando conheceu João Paulo, na época com 1 ano e meio. No primeiro encontro, a criança correu pelo corredor, abraçou Benedito e já o chamou de “papai”.

O cirurgião passou a acompanhar a evolução do quadro clínico de João Paulo e, durante um episódio de coma da criança, prometeu a si mesmo que se o menino se recuperasse, não teria mais que lutar pela vida sozinho.

“Me dei conta que tínhamos um laço que não podia mais ser desfeito. Daria tudo o que pudesse para abrandar a situação dele. O amaria pelo resto da minha vida. Não tive dúvida nenhuma”, contou, emocionado. Mesmo sozinho, adotou o menino que, atualmente, tem 15 anos.

Para o médico, João Paulo veio definir uma expressão que havia ouvido diversas vezes – amor incondicional. “Ele me mostrou que não fui o pai que gostaria de ter sido com os meus outros filhos. Trabalhava 18 horas por dia e achava que ser pai era prover. Mas eu me perdoo por isso”, concluiu.

Agência Brasil

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Fabiano
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